Resenha | A Noite Amarela

Por Isadora Marques

Filme de Ramon Porto Mota trata do medo que o jovem tem do futuro e se baseia em conceitos de fotografia quântica. Distribuído pela Vitrine Filmes, A Noite Amarela faz parte do projeto Sessão Vitrine e sai dia 10 de outubro simultaneamente nos cinemas e nas plataforma de TVOD (Tv por demanda).

O Brasil nos últimos anos têm investido bastante em filmes que tratam sobre as experiências vividas no período da juventude, utilizandos elementos do suspense e horror. Podemos citar Mate-me Por Favor (Anita Rocha da Silveira ), O Diabo Mora Aqui (Rodrigo Gasparini), Os Jovens Baumman (Bruna Carvalho) e o estreante A Noite Amarela de Ramon Porto Mota. Todos os filmes tratam de um grupo de jovens que resolvem sair numa viagem ou jornada para buscar diversão. Porém, A Noite Amarela desenha um tipo de horror mais espiritual e psicológico.

O filme não se apega a clichês e lugares comuns do terror, o que acaba tornando-o uma obra de baixa compreensão a princípio. Porém, busca deixar pistas em diversas cenas a fim que você descubra por si só o que de fato está acontecendo. O que pode ser a principal pista é fita VHS da pesquisa deixada pelo avô de uma das personagens, sobre fotografia quântica, em que um de seus fenômenos comprovados chamado “entrelaçamento quântico” faz com que duas partículas possam ser interconectadas de forma a uma “sentir” o que acontece com a outra, mesmo que elas estejam separadas – conceito que pode explicar o tal terror visto pelos jovens durante o filme.

A Noite Amarela, estreia de Ramon Porto Mota como diretor, mostra a vivência do jovem paraibano, suas particularidades, a forma como se diverte, coisa que o cinema dificilmente aborda, ficando preso as regiões sul e sudeste. Entre os diálogos divertidos e obscuros dos personagens que você pode facilmente encontrar semelhança com algum amigo que teve na adolescência. Também é fácil se identificar com os medos e anseios vividos nessa época da vida.

Inclusive o medo é justamente um dos pontos mais importantes da trama, mas não pelos motivos óbvios presentes no gênero do terror, e sim o medo do desconhecido, o medo de se perder no tempo, do que vem depois do final da escola. A trilha sonora contribui bastante nessa narrativa com a música "Me Perco" (Mercenárias) que é um dos temas do filme.

"Às vezes sinto/Tenho que mudar/Penso que o tempo/
Sempre quis me devorar/ [...] Me perco em pensamento
/
Caminhando pra tão longe/ Não sei como voltar/ Me perco nesse tempo.
"

Elementos como sonhos e referências ao ambiente digital também podem trazer algumas pistas, por exemplo a facilidade em que somos duplicados no mundo online. Criamos tantas facetas diferentes na internet que acabamos por criar mundos alternativos digitais onde podemos acabar nos perdendo.

Um ponto alto da obra é a sua montagem que traz cortes secos, momentos em que só podemos ouvir as vozes dos personagens, repetições de diálogos, cenas duplicadas e telas divididas que nos transmite sensações perturbadoras e nos ambienta de forma assertiva na narrativa de horror do filme.

Ao final, A Noite Amarela, nos deixa na escuridão com a seguinte mensagem “Tchau vocês do futuro que estão assistindo” e vários pontos de interrogação na cabeça. Alguns deles consegui solucionar no processo deste texto, outros acredito que serão motivos para diversas conversas em mesas de bar.

Serviço:

A Noite Amarela ( 2019)
Duração: 100 minutos
Gênero: Horror
Direção: Ramon Porto Mota
Roteiro: Jhésus Tribuzi e Ramon Porto Mota
Produtora: Vermelho Profundo

Estreia: 10 de outubro
Nos cinemas de todo o Brasil
Plataformas Digitais: Apple TV, Google Play/YouTube Premium, Now e Vivo Play