ID Entrevista| Milky Chance fala sobre o álbum “Mind The Moon” e vinda ao Brasil

Por Isadora Marques

Recentemente, a banda alemã formada por Clemens Rehbein e Philipp Dausch lançou o seu terceiro álbum da carreira, "Mind The Moon". Batemos um papo com eles sobre a produção, conceitos, participações especiais e até sobre música brasileira.

O Milky Chance tem pouco mais de 6 anos de carreira e conquistou o mundo com seu hit Stolen Dance, que em 2016 ultrapassou os 285 milhões de views no YouTube. A banda de Clemens e Philipp tem um estilo que perpassa o pop, rock, folk, e com influências de reggae e música eletrônica.

Em 2013, lançaram o álbum "Sadnecessary" que foi produzido pela dupla de forma independente. Ele foi tão bem sucedido, recebeu muitos discos de platina e foi responsável por lançar os tão famosos singles Stolen Dance e Down By The River.

O segundo disco veio em 2017, Blossom, bem mais dançante e produzido que o primeiro, já que essa foi a primeira vez que entraram num estúdio profissional de gravação. Esse álbum nos trouxe singles como Doing Good e Ego.

O Lollapalooza Brasil foi o primeiro palco que trouxe o Milky Chance para tocar em nossas terras. Nessa experiência a banda pode conhecer um pouco do calor do fãs que não se cansavam de comentar em todos os vídeos e posts da banda.

Esse ano lançaram o terceiro álbum, Mind The Moon, em que ampliaram seus horizontes musicais com influencias que passaram desde o folk até a música eletrônica. O álbum contou com várias participações especiais como Tash Sultana, cantora maltesa-australiana e o belga-congolês Temé Tan.

A gravação de Mind The Moon foi dividida entre vários estúdios pelo mundo, onde puderam experimentar diferentes vivencias e oportunidades sonoras.

Nós batemos um papo com Clemens Rehbein sobre conceitos, as diferentes sonoridades e produção do novo álbum, como também a possibilidade da vinda do Milky Chance ao Brasil em 2020 e os artistas brasileiros que mais gostam. Vem ler!

Mind The Moon é um álbum bem mais simples e sensível do que Blossom, o que levaram vocês a chegar nesse conceito?

Acreditamos que ter uma abordagem de produção mais minimalista é parte do nosso DNA como banda. Nós amamos! Com Blossom nós estivemos em um estúdio profissional pela primeira vez e nos sentimos como crianças num enorme playground. Nós só queríamos experimentar e testar um pouco de tudo. Acho que por isso Blossom teve mais camadas em questão de produção. Quando começamos a trabalhar em Mind The Moon, nós já tínhamos tido todas essas experiências e queríamos nos limitar um pouco. Voltando a uma maneira mais minimalista de produzir. Ás vezes, menos é mais.

Quais foram as principais bandas e artistas que inspiraram vocês na produção desse disco?

Não queremos citar nomes, porque a nossa inspiração para fazer música é tão diversa e eclética que não faria sentido. Amamos todos os tipos diferentes de música e você pode achar um pouco de tudo no som que fazemos. Nesse terceiro álbum, conseguimos mostrar ainda mais isso. Tem eletro, reggae, hip hop, folk e muito mais.

O que diferencia a produção desse álbum aos dois anteriores?

Expandimos todo o processo. De tempos em tempos nos reunimos junto com a banda, que toca nos shows com a gente, no estúdio. Convidamos amigos e outros músicos para trabalhar conosco. Gravamos em diferentes estúdios ao redor do mundo. Começamos em nosso home studio em Kassel, fomos para Itália, voltamos para Kassel, depois para Melbourne, e então Berlim, Noruega... Queríamos nos inspirar no ambiente que nos rodeava, pelo som da sala, e os diferentes instrumentos e equipamentos que você pode encontrar no estúdio. Cada um dos estúdios que passamos tinha sua própria vibe, sons e isso afeta a forma que você produz música. Nós também usamos muitos sintetizadores analógicos nesse álbum, algo que definitivamente dá para notar.

Como rolaram os convites para as participações em Mind The Moon, vocês já escreveram as músicas pensando em quem gostariam de convidar?

Não, nós não sabíamos que artista queríamos em cada música antes de escrever. Conversamos sobre Daydreaming e, quando finalizamos a demo, sentimos que Tash se encaixaria perfeitamente nela, então mandamos a música. E ela gostou tanto que topou a ideia. Voamos para o seu estúdio em Melbourne e finalizamos a música juntos. Tame Tan nós conhecemos a muito tempo e ele veio nos visitar em nosso estúdio em Kassel. Ficamos em uma jam que durou uns 2 ou 3 dias e então Rush nasceu. Eden's House foi um processo bem mais longo. Nós passamos muito tempo no arranjo e produção dessa música, mas no final não gostamos do resultado e tivemos que começar tudo de novo. A ideia de ter um coral em uma música vem desde quando Philipp e eu cantávamos em um no Ensino Médio. Ladysmith Black Mambazo sempre foi o nosso coral preferido, então colocamos a cara a tapa e mandamos um e-mail perguntando se eles gostariam de ouvir a música e talvez cantá-la conosco. Felizmente eles gostaram tanto da ideia que resolveram abraçá-la com a gente. Ficamos muito felizes e surpresos pois não achávamos que eles iriam topar tão facilmente.

De que forma o novo álbum transformou a maneira que vocês se apresentam ao vivo? As novas músicas pedem um clima mais intimista nos shows?

Não diria mais intimista, temos bastante energia no palco e a vibe é sempre um pouco mais agitada e dançante do que no álbum. Ainda somos quatro, mas acrescentamos novos instrumentos no palco. Temos alguns sintetizadores novos e agora quase todo mundo os toca de vez em quando. Há muito movimento no palco, além de termos um novo show de luzes. Além disso, nunca gastamos tanto tempo em ensaios e achamos que nunca soamos tão bem!

Até o momento, vocês já lançaram cinco videoclipes do novo álbum, pretendem continuar e lançar um para cada música?

Ah! Com certeza ainda tem mais pela frente!

Vocês vieram a primeira vez no Brasil no Lollapalooza 2018, como foi a experiência em terras brasileiras?

Foi incrível! A plateia era enorme e tinha uma energia tremenda. Além do tamanho do festival em São Paulo ser impressionante. Foi insano ver tantas pessoas se juntando para celebrar a música e tivemos a honra de fazer parte disso! Nós amamos mergulhar na cultura da América do Sul, achamos ela muito especial.

Na turnê desse álbum vocês já viajaram por vários países e atualmente estão percorrendo a Europa, quando planejam aparecer pela América do Sul, mais precisamente aqui no Brasil?

Nós com certeza voltaremos para América do Sul em 2020! E o Brasil vai ser incluído também! Podem ficar tranquilos!

Vocês conhecem algum artista brasileiro que tem vontade de fazer alguma colaboração, seja em shows ou num futuro álbum?

Admiramos muito o trabalho do Rodrigo Amarante, adoramos ele. Curtimos bastante Vanessa da Mata! Boa Sorte e Vermelho são minhas músicas preferidas! Ah, também gostamos muito de Céu. Esses são os artistas que eu adoraria conhecer!

Desde Sadnessary até Mind the Moon, que balanço vocês fariam sobre a carreira do Milky Chance?

Sempre mantendo o foco na música e em como nos sentimos. Seja no primeiro, segundo ou terceiro álbum, sempre fazemos a música que gostamos de fazer e isso nos mantém felizes. É a nossa prioridade número um e sempre vai ser!

Ouça Mind The Moon em todas as plataformas digitais!